“Capitão” de Abril

Ao Major Vitor Alves                                                                                                              

 Fiz-me soldado em Abril
Não me conheces, pois não?
As honras que me couberam
Nunca mais envelheceram.
Moram na alma, onde estão.
Gritei vivas.  Bebi lágrimas
Na manhã de cravos mil.
Do cano das espingardas
Colhi flores, madrugadas:
Fiz-me soldado de Abril.
Não matei p’la liberdade.
Outros morreram por mim…
Fiz-me soldado de Abril,
Herói com alma em perfil,
Sem estátua nem jardim.
Fiz-me soldado em Abril
Do ano da pura idade.
E fui praça, soldadinho.
Gritei às armas do sonho
Pela  tua liberdade.
Sou o nome de  amanhã
Que em silêncio perfilado
Traz à história um sentido:
Porque eu, desconhecido,
Sou de Abril o teu soldado.

José Francisco Costa, Director do LusoCentro – Bristol Community College , Professor e Escritor Luso-Americano
(editado noutros blogues)

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